Ilustração mostra Vênus ao lado de uma lua em processo de destruição, representando a hipótese de que o planeta possa ter perdido um antigo satélite natural.
Ilustração representa a hipótese de que Vênus possa ter possuído uma antiga lua que acabou destruída ou absorvida pelo planeta ao longo de sua evolução. Crédito: IA chavedosmisterios.com.

Uma lua desaparecida pode fazer parte do passado de Vênus. Um estudo investiga se o planeta teria destruído um antigo satélite pela ação das marés gravitacionais, oferecendo uma possível resposta para uma pergunta intrigante: por que Vênus não tem lua?

A pesquisa trabalha com uma lua hipotética. Nenhum vestígio dela foi identificado.

Um planeta parecido com a Terra, mas sem companhia

Imagem em falsa cor de Vênus produzida com observações ultravioletas da sonda Akatsuki nos comprimentos de onda de 283 e 365 nanômetros.
Imagem em falsa cor combina observações ultravioletas de Vênus em 283 e 365 nm, destacando diferenças na composição e estrutura das nuvens. Crédito: PLANET-C Project Team/JAXA.

Vênus tem dimensões próximas às da Terra, mas apresenta diferenças marcantes. Segundo a NASA, ele não possui luas naturais e gira lentamente, em sentido contrário ao terrestre.

Uma rotação completa leva aproximadamente 243 dias terrestres, enquanto sua volta ao redor do Sol dura cerca de 225 dias. Esses números se referem à rotação e à órbita, não ao intervalo entre dois amanheceres.

Existe ainda um acompanhante chamado Zoozve. Trata-se de um quase-satélite: um asteroide que orbita o Sol e mantém uma relação orbital com Vênus. Ele não equivale à Lua que acompanha a Terra.

Como Vênus poderia destruir uma lua?

No estudo liderado por Stephen R. Kane, os pesquisadores simularam a interação entre Vênus, um satélite e o Sol, variando condições como massa e rotação.

Em determinados cenários, a evolução orbital conduzia a lua para perto demais do planeta, até sua destruição pelas forças de maré.

Porém, o destino não era inevitável. Algumas combinações permitiam a sobrevivência do satélite. Os resultados dependem das condições iniciais e do modelo utilizado.

A versão disponibilizada em setembro de 2026 informa que o trabalho foi aceito para publicação no Astrophysical Journal.

Vênus coberto por sua espessa camada de nuvens fotografado pela sonda Mariner 10 durante sua passagem pelo planeta em 1974.
Vênus aparece completamente envolto por sua espessa camada de nuvens em imagem registrada pela missão Mariner 10 em 1974. Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Uma hipótese ainda precisa de pistas

O resultado apresenta um mecanismo possível, sem demonstrar que o episódio aconteceu. A existência dessa antiga lua continua sendo uma questão em aberto.

Essa distinção é essencial: reconstruir um caminho permitido pela física não significa identificar qual caminho um planeta realmente percorreu.

O que as próximas missões podem revelar?

A missão DAVINCI, da NASA, pretende investigar a atmosfera e a evolução de Vênus. Seu projeto inclui uma sonda para medir composição química, temperatura, pressão e ventos durante a descida.

Abaixo das nuvens, ela também deverá registrar imagens da região montanhosa Alpha Regio. O objetivo é compreender melhor como esse mundo se formou e se transformou.

Vênus observado em luz ultravioleta pela sonda Akatsuki, revelando padrões e contrastes na camada superior de nuvens do planeta.
Vênus registrado em luz ultravioleta de 365 nm pela sonda Akatsuki em 6 de maio de 2016, revelando contrastes na atmosfera e nas nuvens do planeta. Crédito: ISAS/JAXA.

Essas medições ampliarão o conhecimento sobre o planeta. Não representam, por si só, uma promessa de encontrar os restos de uma lua.

Será que Vênus já teve uma companheira no céu — e perdeu para sempre os vestígios dessa história?

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